Os nervos devem-se ter tornado
Arames esticados
Onde fazem malabarismos
As minhas emoções turvas
De vida
Sacudo-me como um cão molhado
Incomodado no seu pêlo habituado
Ao conforto do sofá
Também eu tenho vontade
De andar à volta à procura
Da minha cauda invisível
Num reboliço de inquietação paranóica
Levo os olhos de cá para lá
De dentro para fora da janela
Em busca de um nicho agradável
Para dar repouso à mente
A paisagem castanha de troncos nus
E tapete de folhas caídas
Só acorda em mim, ecos de despedida
Do Verão que já não há
De repente, quando já as minhas mãos
Queriam cerrar as cortinas
Eis que surge um vulto fulvo mágico
Que vem pousar no muro do jardim
E então, acontece-me de novo sorrir
Ao vê-lo deliciar-se com as sementes de girassol
Por nós espalhadas
Convite para Brunch dos que têm asas
Aceite por um esquilo amoroso
Ana Wiesenberger