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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Poema erótico de Drummond de Andrade

 

Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! 

Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos.

Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci.

Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão. 

Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do  que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama te esperar. 

Quando chegares, quero te agarrar com avidez e  força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. 

Só descansarei quando vir sair o sangue quente do teu corpo.
 

Só assim, livrar-me-ei de ti, mosquito Filho da Puta! '